Pena revolta

(Por: Marcos Woyames de Albuquerque)



Da asa uma pequena pena,

insurgida se vê solta.

Envolta ao relento no vento,

Balouça no ar a revolta.

 

Se ave já era livre,

mais livre agora se viu,

Era então a dona de si,

mais que pena se sentiu.

 

Postou-se largada ao vento

e nele pôs-se a voar.

Pairou porquanto houve tempo

e longe se deixou levar.

 

No forte soprar do momento,

levada feliz pelo ar.

Alforriada se viu a contento,

no seu modo de viajar.

 

O vento a pena levou,

até onde pode soprar.

A chuva a pena lavou,

perdeu-se aí seu voar.

 

Deitou-se pois na calçada,

ficou lá sem jeito deitada.

Dá pena de olhar para a pena,

que da asa se viu libertada!

 

No chão repousa a pena,

nada mais se pode fazer.

Triste fim que se encena,

liberdade a fenecer.

 

Toda molhada do orvalho,

largada colada no piso.

Melada jogada na lama,

pisada sem qualquer siso.

 

Do tijuco ficou tão pesada,

que mesmo ao soprar do vento,

nem apenas por um alento,

pode em seu vôo alçar.

 

Não mais faz parte da asa.

Não mais é pena do bicho.

Na piassava do garbo gari,

junto ao pó vai virar lixo.

 

"Liberdade, liberdade,

Abre as asas sobre nós..."

A peninha, pobre coitada,

deu um nó na minha voz!

 

 

 

 

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