Minha amiga, quase um poema

(Um relato)

(Por: Marcos Woyames de Albuquerque)



Volto ao passado.

Lá se vão muitos anos.

Ficou a lembrança.

Há aqueles que nos marcam...

Ficou em mim...

lembrança de alguém.

Se fez sinônimo de saudade.

 

Se vão muitos anos,

Muitos mais que o perdurar das lembranças.

 

Foi marcante.

Assim foi.

Assim se foi, ...marcante!

O nome inscrito na lembrança.

 

Estatura miúda.

Rosto miúdo.

Viver de gigante.

Conviver gigante.

 

Inteligente, agitada, persistente.

Grande até na hora de ter defeitos.

 

Amiga, meiga, vivida, corajosa...,

arrogante, petulante..., sem meios termos...,

 

Direta, decidida, atrevida.

Assim a conheci.

Miúda e crescida.

Ainda estudantes, arrogantes, confidentes.

 

Veio a vida...

marido, filhos, amigos...

Por anos assim viveu.

Por anos assim se perdeu.

Por anos não se apercebeu.

 

De repente uma viagem.

Largou tudo e foi com tudo.

Com os pés no mundo se foi.

 

Cruzou ares, cruzou mares, cruzou pares...

viajou!

 

De seu... apenas um violão;

Companheiro, sustento, abrigo, passaporte, chave...

um violão.

 

Não o fez por mau, apenas se foi.

Inocente partida.

Na vinda haveria continuidade?

Inocente retorno!

 

Descasou-se!

O marido, os filhos, os amigos...

tudo se foi!

 

De seu... apenas o violão.

Lhe restou o violão.

 

Quando partiu deixou saudade.

Quando voltou era saudade.

Mesmo na saudade... sobreviveu.

 

A música presente.

O violão presente.

Os versos presentes.

Alguns com meu nome.

Para mim um presente.

 

Um dia, na imensidão do tempo, nos perdemos.

Foi um dia em que perdemos.

Outra vez se foi.

 

De seu... o som do seu violão, a voz,

a lembrança, a saudade...

Onde estará?

 

 

 

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