O dia da mulher... ou não?

 

(Por: Marcos Woyames de Albuquerque)

 

Hoje é o dia internacional da mulher.

Não serão homenageadas aquelas pobres coitadas queimadas na fábrica norte americana, não mais aquelas, mas, em nome delas, são homenageadas todas as mulheres.

Não serão homenageadas aquelas pobres coitadas africanas que têm seu clitóris arrancados à lâmina de barbear nos confins da áfrica, mas todas as mulheres.

Não serão homenageadas aquelas pobres coitadas trancafiadas dentro de burcas nos infernais quintais paquistaneses, são homenageadas todas as mulheres.

Não serão homenageadas as pobres coitadas Marias Sem Nome, de lata na cabeça, nos recantos brasileiros, da fome e da sede nordestina, são homenageadas todas as mulheres.

Todas? Nem todas!

Serão homenageadas as secretárias, as funcionárias, uma esposa aqui, outra ali, a namorada, a amante... Mulher mesmo? Nem todas.

Serão enviadas mensagens, flores, odores, bombons, beijos fugazes.

Fala-se dos direitos, daquilo que ela quer, do poder por crescer, do salário diferenciado enfim... Fala-se da mulher.

Não da pobre coitada, mas fala-se da mulher. Fala-se da mesmice. Fala-se a mesmice. Num tanto que é tão pouco que é melhor não pensar!

Nunca me imaginei mulher, nunca quis ser mulher.

Não, não pense que este é um depoimento machista ou muito menos tendencioso. São apenas observações de um apaixonado pelo sexo nem tão frágil assim.

Se nunca, sequer me imaginei mulher, jamais pude me supor grávido e muito menos parir. Menos ainda considerar a inimaginável dor do parto.

Jamais sonhei menstruar ou em ter tpm. Jamais pude conceber ser diferenciado pelo simples fato de não ser homem. Tanto jamais, tanto nunca que o que não seria um depoimento machista, passa a sê-lo apenas pelo fato de, por ser homem, ignorar tantas razões.

Imagino sim a razão do chorar feminino, por ter aprendido a chorar.

Posso sim, imaginar os motivos de tanta sensibilidade e apenas imaginar pelo fato de saber amar, de buscar amar e de me deixar amar.

Posso sim, tomar noção do amor materno por amar meus filhos e, por eles, abrir mão de minha própria vida.

Posso sim, saber o desejo despertado pelo prazer simples de navegar por vitrines, por entender a grandeza de se tornar bonita para o seu amado.

Posso sim, saber da satisfação de enfrentar os afazeres do lar, pelo orgulho de chegar em meu canto e me sentir agradavelmente protegido. Ou ainda, ter prazer de saborear um alimento sem gosto de comercial de tv.

Posso também, compreender que ser mulher é dividir minhas dores, é somar minha felicidade, é diminuir minhas aflições e ainda multiplicar minhas satisfações.

Posso ainda, e apesar de jamais, e novamente jamais, ter admitido, que sem ela eu não saberia viver.

Todos os dias e cada um deles é o dia da mulher. É o dia da esposa, o dia da mãe, o dia da avó, o dia da tia... O dia de toda mulher, menos daquelas pobres coitadas esquecidas não só pelos homens, mas por todos nós que precisamos ter um dia para homenagear a mulher de todos os dias.

 

 

 

 

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