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Carta
de Esperança
(Por:
Marcos Woyames de Albuquerque)
Caro primo,
Tudo
bem?
Como estão
todos em sua casa? Fátima, os meninos? E os netos, já vieram?
Aqui em
casa, graças a Deus, todos estamos gozando de boa saúde.
O pequenino
é que está cada vez dando mais trabalho. Cada dia que passa fica mais sapequinha, acho
que é sinal de muita saúde!
Sabe meu
amigo, a vida tem sido um pouco difícil para nós no aspecto financeiro. Acredito que
para todos, mas especialmente para nós, funcionários públicos. Já está fazendo mais
de oito anos sem um reajuste, razão pela qual estamos tendo que nos virar para tentar
manter o padrão de vida que as crianças foram acostumadas.
Maria,
além de já trabalhar na prefeitura e ter os trabalhos de dona de casa, agora anda
fazendo artesanato para ajudar no orçamento.
Eu, por
outro lado, fiz um cursinho e estou fazendo meus bicos com manutenção de computadores,
mas é serviço raro, nem sempre aparece. Algumas vezes bate um desânimo muito grande.
Dá vontade de largar tudo e sumir no mundo! Se não fosse a Maria e as crianças, juro
que já teria feito isso!
A
situação anda tão difícil que estamos sendo obrigados a tomar algumas medidas de
contenção de despesas. Uma delas é que não estou mais usando o carro para me deslocar
de casa para o trabalho. Também pudera, com o atual preço dos combustíveis, em breve,
automóvel será objeto de decoração!
Falta de
grana é fogo, mas tem suas vantagens.
Ontem cedo,
quando vinha para o trabalho, em uma das paradas , observei pela janela do ônibus que um
restaurante, ainda fechado, exibia um cartaz... "Precisa-se de garçonete".
Ao lado da
porta, uma jovem de aspecto cansado e com cara de pouca esperança, um desânimo latente.
Provavelmente cansada de ter chegado muito mais cedo do que a hora em que a vi.
Desesperançada pela dificuldade de emprego e desanimada provavelmente por haver tentado
outras vezes e não ter obtido sucesso. Chamou-me a atenção, além do fato de estar ali
de pé tão cedo, o fato de ser a única a tentar a vaga, afinal estamos em tempos de
empregos escassos!
Naquela
hora, apesar de tudo, até da falta de aumento por tanto tempo, agradeci por ainda ter
emprego!
Hoje,
novamente me dirigindo ao trabalho, quando da passagem pelo mesmo local, notei que o
cartaz já não estava lá. Pensei comigo mesmo... tomara que ela tenha conseguido o
emprego!
Foi assim
pensar e logo a seguir a jovem dobra a esquina, se aproxima do restaurante.
Seu
semblante exibia uma leveza que não havia ontem. Seu andar era jovial, saltitante.
Seu aspecto
renovado, característico de quem readquiriu a crença na vida.
Bateu na
porta fechada e logo alguém a abriu e ela, com um sorriso nos lábios entrou.
Sinceramente,
meu amigo, uma lágrima de emoção chegou a brotar de meus olhos
Pode
parecer loucura minha, mas agradeço por estar no ônibus nos dois momentos e poder
presenciar o que acabo de descrever.
Hoje, mais
uma vez, a vida me dá uma lição.. onde até a esperança se foi, de um momento para
outro tudo pode mudar e a vida ter continuidade.
Como é bom
estar vivo!
Como é bom
ter o direito de observar a vida!
Como é bom
descobrir que nada está acabado!
Dê
lembranças minhas a todos. Assim que as coisas melhorarem daremos um pulinho até aí e,
quem sabe, faremos um churrasquinho como aqueles que costumávamos fazer.
Um abraço
afetuoso;
Marcos |