Amor inventado tem receita? (Por: Marcos Woyames de Albuquerque)
- Oi amor! Tudo bem? Tudo... foi bom te encontrar, eu queria comentar uma coisa com você. O que? Fale. - Eu estava ouvindo o rádio e tocava aquela música do Cazuza. - Qual? - Aquela em que ele diz que "o nosso amor a gente inventa". Claro que é apenas uma forma poética que ele arranjou para falar de amor. Eu acho que o Cazuza é um grande poeta. - Como é, ele não morreu? - Morreu, mas está vivo. Na minha opinião, poeta nunca morre, permanece vivo em sua obra, em sua arte! - Nunca pensei nisso, mas amor se inventa? - Se o poeta o disse, não sou eu, um simples escritor de coração, quem irá contrariá-lo. - Se assim for possível, tenho uma proposta a fazer. Que tal inventarmos um amor? Que tal inventarmos o nosso amor? - Gostei da idéia, fala mais. - Será um amor diferente. Não um amor comum, como estes que andam por aí. Para inventarmos um amor diferente precisaremos ter uma receita. - Receita? - É, uma receita muita bem pensada, muita bem elaborada. Afinal será a receita do nosso amor. - Inventor usa receita? - Não importa, nós usaremos. - Que ingredientes iremos colocar? - Precisamos pensar, mas de uma coisa eu sei, existem ingredientes que não devemos colocar, senão o nosso amor pode desandar. - Amor desanda como bolo? - Temos muito no que pensar. Não podemos errar. Um amor assim, elaborado, inventado, com receita e tudo, tem que dar certo. - Já pensou na vergonha? Imagine então a manchete dos jornais! "Amor inventado dá errado!" "Amor tinha ingredientes pirateados" - Pior então serão os comentários os maledicentes, estes nem quero pensar... "Era amor do Paraguai!" - Temos que tomar muito cuidado! Que tal começarmos tirando o que não queremos para o nosso amor? Amor que é amor, não pode ter discórdia, não pode ter atritos. - Espere, se no nosso amor não houver discórdia, como vamos ter reconciliação? Melhor deixar uma pitadinha de discórdia e alguns pedacinhos de atrito. Tá bom assim? - Concordo, mas no nosso amor não pode haver distância. - Hum! Pode sim, amor sem distância não tem saudade. Amor sem saudade, não tem vontade de querer mais. Amor sem distância e sem saudade, não tem "festinha" de retorno. - O que me diz de colocar um pouquinho de distância ocasional? - Concordo, porém nada de ciúmes. - Ih!!! Amor sem ciúmes é muito chato! Todo amor tem que ter um pouquinho de ciúmes. Não daquele tipo que é doentio, agressivo, mas um ciuminho pequenininho até que é gostoso. Aquele tipo de ciuminho de fazer biquinho, de ficar emburrado. Ciuminho quando é do tipo gostoso faz tão bem ao ego! - Tá bom, tá bom, deixa um ciuminho, mas deixa bem pequenininho, nada de exageros! - Esta receita está ficando difícil! - Como será que o Cazuza faria? - Ele disse que inventaria o amor "pra se distrair" , mas o nosso não, o nosso é a sério. - Acho melhor mudarmos a receita... melhor colocarmos os ingredientes que farão parte do nosso amor. Com são todos ingredientes abstratos, se o nosso amor começar a desandar poderemos tirar um ou outro ingrediente. Vamos lá? - Ok! Vamos aos ingredientes: Companheirismo, amor sem companheirismo não pode dar certo. - Amizade... é, amizade tem que ter, afinal amigo é uma espécie de namorado sem relacionamento mais íntimo. - Carinho, este é necessário. Talvez um dos ingredientes mais importantes. Amor sem carinho é como café fraco, não tem graça. - Coragem... - Importantíssimo! Sem coragem não se pode enfrentar a vida. Não se pode encarar as dificuldades. - Afeto, - Afeto não é a mesma coisa que carinho? - Não, carinho é uma coisa mais física, tem a ver com pele na pele e afeto é apego, dedicação, ternura. Entendeu? Entendi... o que mais vamos colocar no nosso amor? - Cumplicidade, amor sem cumplicidade perde o sentido. Cumplicidade é uma coisa tão exata quanto matemática. Pode tirar esse olharzinho torto daí. É matemática sim quer ver? - Claro que quero, onde já se viu... matemática? - Cumplicidade é saber diminuir para somar, é concordar em dividir para multiplicar. Cumplicidade é o resultado de um somatório onde o valor final garante que os dois pensam e agem como um só. - É verdade, você tem razão. Por falar em verdade, o amor não convive com mentiras. - Taí uma coisa que não deve entrar na receita... a mentira. - Imaginação seria um bom ingrediente? - Claro que sim, amor sem imaginação se torna monótono e acaba, vira convivência. - Então tem que ter fantasia? - Obviamente! Fantasia e imaginação estão ali ó, uma ao lado da outra. - O que mais vamos colocar na receita do nosso amor? - Tesão, dá pra imaginar amor sem tesão? - Puxa vida! Nem pensar, mas não é um tesão vulgar, é desejo, é vontade de estar juntos, é querer satisfazer um ao outro. - Também é respeitar o momento certo, é saber o dia e a hora, é descobrir o que o outro gosta. - Tesão tem tanta coisa! - Tem sim, mas vai depender da imaginação e da fantasia. Do carinho e do afeto. O momento do tesão é a hora da verdade. É a hora exata da cumplicidade. É ali que os dois somam e o resultado é um só, amor que se multiplica infinitamente. - O que foi? Que cara é esta? - Vem cá, deita aqui do meu lado... Grande poeta o Cazuza... "O nosso amor a gente inveeeentaaaa!" |
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