|
A meus pais ou consciência da maturidade
(Por:
Marcos Woyames de Albuquerque)
Tenho pensado e cheguei
a conclusão que maturidade é algo que não se adquire com a idade, mas com a
consciência.
De um tempo para cá tenho observado com mais consciência o quanto amo meus pais.
Ela, minha mãe, ainda mantém o orgulho de mulher bonita, altiva. Seu corpo ainda é
esguio, elegante. Uma mulher na plenitude da terceira idade. Raros são os que ao saberem
sua idade, não se admiram de sua forma e beleza.
Ele, meu amado pai, um homem e tanto. Ao longo dos anos enfrentou suas barreiras com
galhardia, porque não dizer heroísmo. Barreiras que cobraram caro e deixaram suas marcas
em sua luta, mas que, entretanto, o dobraram sem jamais have-lo derrubado.
Hoje, seus passos cansados, já não são tão firmes, nem tão largos quanto seu doce,
adorável e amigável sorriso.
Seus cabelos brancos, insistentemente despenteados, talvez ainda sejam reflexo do homem de
vida agitada, corrida, lutada a cada instante. E que apesar das dificuldades, por toda sua
vida só criou amigos.
Juntos, meus pais lutaram e fizeram de nós, minha irmã e eu, pessoas que ao longo dos
anos construímos e constituímos famílias de pessoas boas. Pessoas que têm amor no
coração.
Desculpem, não é de nós que quero falar, mas de duas pessoas a quem mais amo nesta
minha vida e que peço neste momento que me perdoem.
Peço perdão por nunca ter tido coragem de sentar a seus lados e olhando em seus rostos,
olhando em seus olhos, jamais haver dito o quanto os amo.
Apesar de estar hoje começando a ter esta consciência, peço que me perdoem, por todos
os momentos em que me ausentei. Pelos momentos em que me omiti e deixei que seus problemas
fossem só seus. Sei hoje, que os meus nunca foram só meus, como pude ser tão egoísta?
Quero pedir perdão, minha mãe, por muitas vezes não ter deitado a cabeça em seu colo e
chorado... eu tinha que ser machão.
Quero pedir perdão, meu pai, por ter levado tanto tempo sem ter beijado sua face, como
hoje faço. Muitas vezes por vergonha do olhar dos outros...como pude ser tão infeliz na
hora de ter vergonha?
Quero pedir perdão pela distância que deixei entre vocês e as crianças, por não
tê-las feito mais netas do que o amor de vocês pedia e merecia. Talvez inconscientemente
por não querer dividi-las com vocês e ao mesmo tempo, não querer dividi-los com elas.
Quero me desculpar com vocês por jamais haver dito a minha irmã o quanto ela é especial
e que tanto quanto a vocês eu a amo.
Não sei ainda se minha consciência que penso amadurecida, é suficiente para reconhecer
que o amor que sinto é maduro o bastante para não mais errar, para não mais me
ausentar, para não me omitir.
Peço desculpas a mim mesmo, por haver demorado tanto a sentir este amor com plenitude.
Hoje, olho meu pai que enfrentou e lutou contra os monstros e dragões da vida e sinto um
orgulho. Orgulho este que reconheço, me faz muito bem. Um bem que meu pai sempre me quis,
mas que por longo tempo eu cegamente não enxerguei e até mesmo, em determinados momentos
por me julgar absoluto, recusei.
Hoje, olho minha mãe e choro, choro pelo colo que ela sempre me ofereceu para confortar
minhas lágrimas, mas que optei burra e insistentemente por desperdiçar pelos cantos de
paredes da vida.
Peço aos meus pais que me perdoem mais uma vez, por não haver aprendido antes a pedir
desculpas e por jamais ter tido a coragem de admitir abertamente que sempre os amei e que
este amor está amadurecendo, não com a idade, mas com a consciência.
Amo vocês! |