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A casa onde morou a felicidade!
(Por:
Marcos Woyames de Albuquerque)
Certamente aquela não era a melhor casa da cidade. Muito menos a maior, a mais luxuosa. Um casa simples. Um jardim cercado de grades. Grades que permitiam a todos ver o que ali acontecia. Não havia nada naquela casa que necessitasse ser escondido. Alguma coisa porém, muito especial, chamava a atenção para aquela casa. Quase sempre havia música. Quando com música, espalhava alegria aos arredores. A cantoria, a alegria, tudo fazia daquele lugar uma festa permanente. Nem sempre havia música. Quando sem música, o burburinho de seus freqüentadores ocupava o ar, muito me fazia lembrar o cantar de pássaros. A porta da frente sempre aberta aos amigos. Bastava um "- O de casa, tô chegando!" De pronto a resposta... "- Vamos entrando!" Acho que já disse, não havia nada de especial naquela casa. Havia apenas um quê muito especial, um toque que só seus donos tinham e faziam questão de distribuir. Ali, aquela casa, como todos sabiam, era realmente um lar. Ali morava e se morava com felicidade! Cômodos espaçosos, mas simples. Nenhum luxo, apenas conforto. Porém, apesar da simplicidade, uma coisa, um objeto, chamava a atenção. No centro da sala, encimando à mesa, dominando o ambiente, descendo soberano do teto, um lindo, mais do que isso, um magnífico lustre de cristal. Á noite, com ou sem música, com ou sem burburinho, com suas lâmpadas acesas, o reflexo das luzes no lustre, fazia daquela casa, sobre a pequena colina, a mais linda das visões. De longe se via a suntuosidade! Era uma visão tão exuberante, tão bela, que a todos dava a certeza de que ali emanava a luz da felicidade. A luz da felicidade que reinava naquela casa. Não havia um só passante que não tivesse sua atenção despertada. Não havia um só morador da vizinhança, que não sentisse e até usufruísse da magnífica aura daquele lugar. Dia após dia, a sensação era de festa, dia após dia aquela luz espalhava sua energia, espargia sua força positiva. Até hoje, quando tudo se chama passado, muito tempo depois, ainda se comenta sobre a velha casa da colina. O tempo, com o seu passar, como com tudo ele faz, cobrou seu implacável preço. Pouco a pouco, os ocupantes da casa, se foram. As crianças cresceram, se fizeram adultos. Casaram-se... se foram. Os outrora adultos envelheceram... se "foram". Não, não foi o tempo o culpado, foi a vida. A vida é assim. A ela não se nega o preço que nos é cobrado. Para com a vida não se deixa dívida, a cobrança é imperdoável! A música emudeceu, já não há a alegria. O burburinho ensurdeceu, já não há o meu cantar de pássaros. A grade do jardim, ainda está lá, enferrujada permite que a visão da casa ainda seja total. Infelizmente permite que a deprimente decadência seja vista! Tal como as pessoas que ali moravam e foram deixando para trás a felicidade, uma a uma, as lâmpadas do lustre de cristal foram se apagando. Para cada lâmpada que o tempo apagou, um olhar passante deixou de observar a morada da felicidade. Para cada lâmpada que se apagou, uma vida partiu, um sorriso se foi. O então magnífico lustre de cristal, que um dia fora a fonte da luz da felicidade, já não tem mais esplendor, já não tem brilho, já não tem luz, já não reflete mais a felicidade. A casa da colina, continua de porta aberta, o tempo que a derrubou, se encarregou de nunca mais fechá-la. Na casa da colina, onde morava a felicidade, ninguém mais avisa "- O de casa, tô chegando". Na casa da colina, onde morava a felicidade, não há mais alguém para responder e já não se ouve o "- Vamos entrando!". Na casa da colina, não há mais música, não há mais burburinho, não há mais luz, não há mais reflexo do que foi a felicidade. Apenas o velho lustre de cristal, no centro da sala, pendente do teto, ainda resiste. Hoje é morada das aranhas, está apagado, sujo, sem brilho, sem felicidade. Não, não é bem assim, uma vez ou outra, um raio de luz penetra através do vão deixado pela velha porta caída, ou então pelo vidro quebrado da janela, e assim, alcança o cristal do velho lustre. De pronto, num passe de mágica, pelas paredes, ainda que desbotadas, um desdobrar de luzes se faz notar, A magnitude de suas cores mostra a exuberância de seu passado. O refratar da luz em cores, se faz notavelmente belo! É quando, aos que conheceram o auge da casa da colina, resta sonhar e imaginar, que aquela luz que surge por alguns instantes, na casa onde morou a felicidade, seja um raio de esperança! Quem sabe haja esperança? Quem sabe felicidade ainda não morreu? |
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