Desabafo!
(Por: Marcos Woyames de Albuquerque)
Sou funcionário público. Tenho orgulho do meu trabalho e
sou ciente da contribuição que meu trabalho dá a sociedade brasileira.
Sou ciente também, de que muitas vezes meu trabalho, que muito mais poderia contribuir,
é deixado de lado, em detrimento de decisões outras as quais não me cabem aqui
discutir.
Discuto sim, a falta de proposta e planejamento, que me levaram a realizar um trabalho com
custos e expensas do já parco dinheiro do povo brasileiro. Recursos, que muitas das
vezes, são altíssimos e utilizados em projetos que se fossem aproveitados, poderiam
levar soluções a questões que há muito afligem o conjunto de nossa sociedade.
Por outro lado, a falta de planejamento e o desperdício já mencionado, muitas outras
vezes, nos obrigam, enquanto funcionários, a trabalhar em condições precárias,
incorretas e com graus de dificuldades, que muitas vezes chegam a surpreender até aos que
têm interesse nos resultados, principalmente com a qualidade obtida.
Por algumas gestões, tenho presenciado tomadas de posses e despedidas. Todas com
manifestações condizentes com as afirmações que acabo de fazer.
Porém, por todo este tempo, jamais vi, uma sequer, que fosse de manifestação em favor
daqueles que desenvolvem e se sacrificam pela "superação das dificuldades" e
pelo "nível de excelência". Palavras estas tão conhecidas e até já
perpetuadas nos discursos, parecendo inclusive, estarem contidas nos tampos das mesas e
acentos das cadeiras a serem empossadas.
Somos hoje, nós funcionários públicos, tecnicamente aptos a desempenhar nossas
funções dentro das mais difíceis condições, ou aptos até na falta delas, porém não
somos financeiramente merecedores deste reconhecimento. Que os digam os anos sem aumentos
salariais.
Por todos os últimos que pela direção passaram, o funcionário, se e quando ocorreu,
sempre foi o último a ser mencionado. Chegamos ao ponto de numa referência, o então
empossado, deixou claro que só solucionados todos os problemas conjunturais, é que se
tentaria alguma coisa em relação ao quadro de funcionários.
Este não é só o reflexo da instituição que trabalho, mas do país em que estamos
vivendo e do qual somos vítimas dos descalábrios governamentais.
Este é mais um que, como no passado, acusa o funcionário de ser câncer da nação. Põe
em nós a culpa dos desgovernos e dos permissivos administrativos impingidos aos recursos
públicos e, em alguns casos, vide a previdência pública, aos recursos dos próprios
funcionários.
Tão covardes são estes senhores, que fazem questão de excluir os militares e os
magistrados, para que se sintam protegidos e inatingidos.
Esquecem que militares e magistrados, num período historicamente não muito distante,
foram responsáveis pelo extermínio de iguais aos que hoje assumem o poder.
Perdoar é divino, assim nos ensina a lei do Senhor, mas esconder-se por trás do perdão
e usá-lo como escudo contra uma das classes que mais vem sendo sacrificada neste país,
é nada menos que covardia.
Muito terá que ser feito, para que nós, que acreditamos que havia possibilidade de
mudança neste país, possamos retomar esta crença.
Sou apolítico e lamento ter que me fazer uso deste meio, mas é apenas o que me sobra
como voz.
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